sexta-feira, 16 de maio de 2008

"Revolver"


Estávamos no ano de 1966 e os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo, “Revolver” o álbum faria a transição entre os “Fab-Four” e o psicadelismo de “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” acabava de sair. Era em “Revolver” que ouvimos pela primeira “Love to You” uma das músicas compostas por George Harrison para este álbum e é nesta música que somos apresentados pela primeira às influencias da cultura indiana que viria a fazer parte do trabalho da banda daí para a frente.
Mas em “Revolver” os bigodes e as barbas ainda não apareciam sendo o fato e gravata ainda a indumentária de eleição.
O álbum “Revolver” inaugurava todo um novo som para os Beatles, o pop que se ouvia era ousado e incrivelmente pesado para a época.
O crescimento musical dos rapazes de Liverpool não foi de todos algo inesperado, nos meses que antecederam o lançamento do álbum Paul McCartney mantinha um relacionamento com Jane Asher a musa de “For no One” e era o membro dos Beatles mais ligado às artes. Por sua vez John Lennon ainda longe de conhecer Yoko Ono que o faria dedicar-se à cultura avant-garde, passava os dias a fumar Haxixe. McCartney ocupava o seu tempo a ver peças de teatro e outras artes performativas, foi nesse meio que conheceu Allen Ginsberg e mais tarde o apresentou a John. Allen Ginsberg é nos anos sessenta uma figura incontornável depois do seu poema “Howl”, mas para além de Ginsberg outro homem que seria uma grande influencia para os Beatles de “Revolver” seria Timothy Leary, o psicólogo que se dedicou ao estudo do efeito do LSD na consciência do individuo.
Era assim que se começava a gravar “Revolver” na plena loucura criativa da dupla Lennon/MacCtney, para além da dupla o papel de George Harrison como compositor aumenta exponencialmente com três canções compostas para este álbum. Os sons ouvidos em “Revolver” eram na época considerados batidas desafinadas misturadas com sons atípicos que desafiavam o ouvido humano. Mas era no meio de consumo psicotrópicos que surgiam hinos psicadélicos como “Eleanor Rigby”. A noção de música pop conhecida por todos nós hoje em dia é sem dúvida graças às catorze músicas de “Revolver”. Este era o álbum que abria as portas para a vaga de psicadelismo que se viria a sentir nos anos seguintes, sem esquecer que foi este o álbum que precedeu “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” o álbum que tornaria os Beatles os ícones da cultura pop que hoje são. Louvado Seja Deus.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

IndieLisboa '08


O INDIELISBOA é um local privilegiado para a descoberta de novos autores e tendências do cinema mundial e integra uma competição de longas e curtas metragens de novos realizadores.

Mantendo o seu foco na criatividade e independência dos autores, em apenas quatro anos, o INDIELISBOA é já reconhecido como um dos mais importantes festivais de cinema em Portugal.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Because Music Matters

boomp3.com

Guillemots - Red


Depois do sucesso conseguido com “Through the Window Pane”, Fyfe Dangerfield poderia ter seguido a fórmula do primeiro álbum que se centrava em músicas introspectivas e de incomparável beleza onde estava clara a influência da formação clássica de Fyfe. Em “Red” será difícil reconhecer os Guillemots de “Trains to Brazil”, é evidente que Fyfe Dangerfield em “Red” tentou provar que por vezes mais é mesmo mais.
Ao fim de alguns segundos de “Kriss Kross” depressa percebemos que o quarteto comandado por Fyfe não está para brincadeiras. E se o objectivo é chamar a atenção dos ouvintes “Kriss Kross” é a música perfeita para esse intento, as guitarras, os violinos e a forte linha de baixo acordam qualquer ouvinte incauto. Em “Kriss Kross” tudo parece ser propositadamente exagerado para dar uma noção de grandeza. Depois de um início tão explosivo chegamos a “Big Dog” uma música que não estaríamos à espera de uma típica banda indie “inglesa”, “Big Dog” é uma poderosa música de R&B onde os sintetizadores imperam e os samples vocais abundam. A música é tão potente que é capaz de por a chorar de vergonha um qualquer filho da safra “Timbaland”. “Big Dog” é a música que irá afugentar todos os fãs mais ortodoxos da banda. Eu acredito que haverá fãs que queimaram os seus álbuns e a organizaram uma verdadeira caça às bruxas depois desta música.
É com “Falling out od Reach” que os Guillemots parecem dar um piscar de olhos a “Throug the Window Pane” (esta música é como que uma espécie de reconciliação com os fãs depois de “Big Dog”). “Get Over it” (o primeiro single retirado do álbum) e Last Kiss são as músicas que levarão os Guillemots até às pistas de dança. “Get Over it” é a música orelhuda do álbum e é claramente a “Trains to Brazil” de “Red”. Nesta música tal como em “Last Kiss” as guitarras envolvem-se com a electrónica criando um ambiente perfeito para as pistas de dança. A música que se segue é uma mudança no ambiente que se vinha a sentir até aqui no álbum em “Clarion” Fyfe constrói uma música Pop com múltiplas camadas que vão aparecendo ao longo de uma das construções líricas mais intricadas do álbum. Seguem-se “Cockateels” com uma batida bastante kitsch onde Fyfe faz lembrar uma certa estrela Pop em plenos anos noventa. Em “Words” Fyfe mostra-se mais uma vez como um grande intérprete numa música melodicamente elegante. “Don´t Look Down” é um dos pontos altos antes do final do álbum, onde os Guillemots experimentam uma linha de baixo atípica com baterias histéricas isto tudo numa construção a fazer lembrar os U2 (curiosamente o engenheiro de som de “Red” é Adam Noble que já trabalhou com os U2). Para terminar o álbum temos “Take me Home” com uma orquestração mais clássica. O novo álbum dos Guillemots não será um álbum de fácil digestão para a maioria da comunidade Indie que não está habituada a alguns condimentos presentes em Red. Para aqueles que não se importam os estereótipos têm sinal verde para ouvir novo trabalho do megalómano Fyfe Dangerfield e sua banda.

domingo, 13 de abril de 2008

Isolation


in "Phonogram #3" by Kieron Gillen and Jamie McKelvie

Os Cromos de Leicestershire


Os cromos estão de volta e trazem consigo o álbum “Superabundance”. E é com agrado que posso dizer que a formula que desde sempre caracterizou o trio post-punk de Leicestershire continua presente. Os Young Knives não se esqueceram nem do humor presente nas letras (que continua tão acutilante como em “Voices of Animals and Men”) nem das guitarras angulares que estão ainda mais frenéticas. Como sempre os Young Knives ouvem-se melhor em alta velocidade. Aqui fica um dos singles de “Superabundance”, “Terra Firma”.

Between the Bars

Aqui fica o novo cantautor de Brooklyn Chris Garneau, que lançou há pouco tempo o álbum "Music for Tourists". Desta vez podemos ve-lo interpretar um tema de Elliott Simth, "Between the Bars".

High Fidelity

Rob: What came first, the music or the misery? People worry about kids playing with guns, or watching violent videos, that some sort of culture of violence will take them over. Nobody worries about kids listening to thousands, literally thousands of songs about heartbreak, rejection, pain, misery and loss. Did I listen to pop music because I was miserable? Or was I miserable because I listened to pop music?

sábado, 12 de abril de 2008

Curtas #3

Jim Noir

Alan Roberts é o nome do músico multi-instrumental vindo de Manchester que se deu a conhecer ao público como Jim Noir. Jim Noir é a persona de Alan que sobe ao palco rodeado pelas luzes coloridas e o seu chapéu de coco. Vindo de uma época onde os Beatles e os Beach Boys lutavam pelo título de melhor álbum Pop, Jim Noir traz todo o espírito psicadélico para o novo milénio. Jim Noir não é o primeiro nem será o último tentar aproximar-se de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, mas é um dos primeiro a conseguir fazer um álbum competente suficiente para ser considerado um grande álbum Pop. Depois do álbum de estreia o “Tower of Love”, Jim Noir avança agora com um álbum homónimo onde volta a juntar as orquestrações tradicionais comuns dos anos 60 com as novas máquinas dos nossos dias que mesclam estes quase cinquenta anos dando origem a boas músicas Pop. E assim é Jim Noir o cantautor que os Beach Boys se esqueceram de mencionar.


Frightened Rabbit

Os Frightened Rabbit vêm da Escócia mais precisamente da cidade de Glasgow a cidade que já deu a conhecer ao mundo bandas tão díspares comos os Franz Ferdinand, os Mogwai, os Primal Scream ou os Belle and Sebastian. Embora Glasgow seja uma cidade de talentos comparada a Detroit dos anos 60, parece não haver um género que consiga ligar as diferentes bandas vindas desta cidade escocesa. Como não poderia deixar de ser, será algo difícil para qualquer fã encontrar similaridade entre o som simpático dos Frightened Rabbit e o som de algumas das bandas atrás referidas. Se os Mogwai são conhecidos pelas instrumentalizações complicadas que criam diferentes atmosferas os Frightened mantêm a instrumentalização simples como qualquer outra banda de rock tradicional. Embora o som dos Frightened Rabbit seja um som simpático não é de longe nem de perto tão adocicado como o dos Belle and Sebastian, nem tão frenético como o dos Franz Ferdinand. Muito pelo contrário os Frightened Rabbit são comuns o suficiente para serem originais.