Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Indie Lisboa 2013: Leones

Do You Believe in Rapture? 

Um rosto feminino nega-se, a floresta adensa-se, as vozes multiplicam-se e os corpos adolescentes também. Leones é a primeira longa-metragem da realizadora Jazmin López, filmado magistralmente em filme de 35mm, é um dos filmes em competição no Festival Indie Lisboa 2013. O filme narra a experiencia de uma jovem a quem os outros chamam Isabel. Isabel é um corpo indefinido pelo espaço que habita, um espaço e um tempo anónimos. A floresta é um espaço espiritual, um espaço que evidencia a ausência de referência, sem uma referência não há definição, há apenas dúvida abstracção. A experiência narrada por Jazmin López poderia ser descrita como uma catábase pós-moderna, aqui a descida é guiada pela câmara que define o caminho de Isabel. Isabel é acompanhada nessa viagem por quatro jovens pubescentes que vagueiam com destino que nunca é aparente ao espectador. Os diálogos na maioria dos casos activados por um jogo narrativo, uma tentativa de definir uma história usando seis palavras, o mesmo método usado Hemingway. A natureza mutante dos personagens, imprevisíveis, sem uma forma que contenha a existência espiritual dos personagens. Os jovens adentram a floresta, jogam sem bola – um piscar de olho a Antonioni -, esvaziam um carregador de uma arma no rio, existem para além da morte. A escara aberta no pescoço de Isabel é mais dolorosa quando a consciência da sua existência é alcançada. A morte aparece como marca daquilo que é inescapável, o rosto é algo que pertence somente aos vivos. Leones é segundo a realizadora uma referência a Borges e à ideia de que os animais são imortais pois não têm consciência da sua morte. Em Leones o caminhar é narrativa, é definição e indefinição, é espaço de negociações, é propósito e proposital, é através da deambulação que os personagens procuram uma casa, um projecto, que se encontra selado. O filme tenta escapar a estatutos e definições pondo em evidência a natureza transitiva do projecto existencial, colocando assim em evidência o fim da sua existência. Assim como a estes jovens resta-nos deambular, questionar aquilo que vemos, o que experienciamos em nosso redor tentado assim dar um significado. O filme de Jazmin López é segundo algumas críticas um filme sem narrativa, no entanto essa verdade é falaciosa, Leones é um filme com uma narrativa, uma narrativa outra. Assim como os jovens na floresta, Leones adentra os subterrâneos à procura do rio que leva ao mar.

IndieLisboa 2013: Museum Hours



Glük auf - “es mögen sich Erzgänge auftun”

Museum Hours de Jem Cohen é uma digressão fílmica pela cidade de Viena. Johann um guarda do Kunsthestorisches Art Museum repete todos os dias os mesmos gestos, os mesmos jogos, como forma de aliviar o peso do tempo. Anne é uma canadiana de meia-idade que chega a Viena devido ao coma de uma prima. O encontro destes dois personagens será o impulso narrativo de Museum Hours.
Inicialmente os espaços da cidade de Viena restringem-se ao espaço do Hospital e ao espaço do Museu, ambos os espaços enunciam uma imobilidade que contamina a cidade. As naturezas mortas expressas no Museu assemelham-se aos objectos estáticos espalhados pelo quarto do Hospital. O corpo imóvel pelo coma confirma o estatuto da cidade Viena como uma cidade imóvel. A expressão fílmica dessa imobilidade é descrita pela imagem de Johann engolido pela constância da porta de madeira do museu.
Esse estatuto da cidade é alterado pela chegada de Anne, o seu olhar estrangeiro activa em Johann uma nova experiência da cidade. Efectua-se a recuperação de uma cidade que se havia perdido devido a uma naturalização da mesma provocada por uma repetição existencial de Viena. Esta nova experiencia da cidade, enuncia um alargamento do espaço de Viena que se efectiva na fragmentação dos limites do espaço do Museu. Os fragmentos da cidade Viena emoldurados pelo olhar fílmico transformam-se em registos pictóricos expostos no Museu. O questionamento enunciado por Anne desconstrói as estruturas simbólicas da cidade. Anne questiona o seu estatuto na cidade – “I Am a Turist?”. Johann é o guia de uma cidade para além do circuito turístico. A invisibilidade de Johann permite-lhe assumir o de flâneur, alguém que escreve uma cidade para Anne.
A escrita da cidade enunciada por Johann é confirmada pela expressão pictórica de Bruegel. A palestra na sala de Bruegel enuncia paralelamente à reescrita de Viena uma desconstrução simbólica dos quadros do artista da Flandres. O estatuto simbólico dos quadros de Bruegel é negado em virtude de nova leitura dos mesmos. É posta em evidência natureza realista dos quadros. A crueza da experiência da cidade é nos quadros de Bruegel confirma a falácia histórica a eles associada. Bruegel é o reflexo que de Johann que enuncia o seu nome em frente a um espelho.      
Johann é também o possibilitador da comunicação, é ele que permite o entendimento entre o pessoal do hospital e Anne. O corpo imóvel da prima de Anne enuncia o passado cristalizado da personagem. As primeiras visões desse corpo comatoso enunciam uma negação desse corpo pelo olhar fílmico. Johann é o tradutor desse corpo – desse passado encoberto. Antes da descida ao submundo é-nos descrita a face desse corpo cristalizado.
O adentramento efectuado na descida ao submundo enuncia a transformação final do espaço cénico urbano. Essa regeneração é baptizada pela morte, a morte do corpo liberta-o da sua imobilidade. O regresso do casal saído do submundo, enuncia a nova vida da cidade. Viena passa existir na sua grandeza estética como espaço de criação artística.         
  
About suffering they were never wrong,

The Old Masters: how well they understood

Its human position; how it takes place

While someone else is eating or opening a window or just walking dully along;

IndieLisboa 2013: Shirley, Visions of Reality


O filme de Gustav Deutsch reúne uma colecção de memórias pictóricas do artista norte-americano Edward Hopper. Os fragmentos pictóricos do artista são esvaziados da sua subjectividade artistica, passando desse modo a referirem-se a aforismos narrativos do realizador Gustav Deutsch. Shirley, Visions of Reality oferece uma experiência estética asséptica, a perfeição dos cenários redesenhados pelo cinematógrafo Jerzy Palacz. nega aos quadros de Hopper a imprecisão que os define enquanto obra de arte. A narrativa cronológica e os aforismos narrativos pouco acrescentam à experiência prosaica oferecida por Shirley, Visions of Reality.

 

Sábado, 20 de Abril de 2013

my memories of you


Este é um pequeno excerto da série my memories of you da fotografa Nische, Nesta pequena colecções de fragmentos pictóricos está expressa a imobilidade estética que enuncia a desintegração do tempo no espaço pictórico. Está também patente a reclusão da figura rememorativa, que enuncia através da sua existência a figura fantasmática.




Daddy, I have had to kill you. 
You died before I had time (...) 
Bit my pretty red heart in two. 
I was ten when they buried you. 
At twenty I tried to die 
And get back, back, back to you. 
I thought even the bones would do. 

Sylvia Plath

Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

Mute - Youth Lagoon



O mundo Lynchiano de Youth Lagoon no seu novo videoclip Mute realizado pelo repetente Tyler T. Williams.

Quarta-feira, 17 de Abril de 2013

As Miúdas vêm cá!


As miúdas de The Fool têm duas datas marcadas em Portugal. As Warpaint irão tocar no 12 de Novembro na Aula Magna em Lisboa e no dia 13 de Novembro no Hard Club do Porto. Dizem por ai que as meninas trazem amigos.


Sexta-feira, 5 de Abril de 2013

Details

 

Jorge Roa a.k.a. Conjunto Universo é um ilustrador chileno. As ilustrações de Jorge Roa são uma amálgama entre modelos hiper-realistas e personagens de banda desenhada. O traço seguro mas delicado e a sua atenção à cor tornaramm-no um sucesso no universo hipster. A série aqui representada valida a expressão “o segredo está no detalhe”.

 

Terça-feira, 2 de Abril de 2013

American Royalty




 Depois ouvir Prismatic o mais recente EP dos American Royalty, fiquei com um sentimento primal – “Tenho de ver estes hipsters ao vivo o mais depressa possível”. Esqueçam os rótulos, eu não quero saber se os gajos são psych-pop, ou alt-pop-soul-experimental, eu só sei que tenho os American Royalty entranhados no corpo – Fuck Yeah!       


Os Primeiros nomes do Milhões de Festa

Quinta-feira, 28 de Março de 2013

Jenny Morgan


A figura feminina é o motivo que se repete nas telas de Jenny Morgan. Os quadros, da artista norte-americana, descrevem o espaço que existe para além do labirinto representativo do realismo estético. A frieza estilística do hiper-realismo é sobrepujada, através de actos plásticos disruptivos do estatuto normativo da figura realista representada. No entanto em Jenny Morgan está sempre patente uma contenção desses actos disruptivos, não existe nunca uma total expressão desses mesmos actos. A obra de Jenny Morgan desse modo em contraponto à obra plástica de Jenny Saville onde essa expressão se verifica. O corpo representado, nas telas da artista, coloca em evidência uma experiência existencialista do individuo feminino. Os óleos da artista enunciam-se enquanto expressões fenomenológicas do corpo fêmeo. Os corpos representados por Morgan são representações de um espaço de negociações individuais, onde estes se enunciam enquanto produto das tenções identitárias semióticas e materiais. Os corpos, de Morgan, são esquisso na tela da vivência negociada do género feminino. Os actos pictóricos disruptivos são marca, na tela, da realidade transitiva das identidades expressas nos quadros. Essas identidades expressam-se na sua qualidade ficcional, expressada pelo mascaramento das faces dos objectos pictóricos. A existência inacabada, de alguns dos quadros de Jenny Morgan, coloca em evidência a existência dos mesmos no seu carácter de projecto identitário.