Girls são afinal dois rapazes californianos que nos trazem neste Inverno a inocência do Verão. Graças a estes dois rapazes somos transportados para tempos mais quentes, onde as cervejas geladas nos aquecem os corações cheios pelos amores de verão. Fazendo canções Lo-fi, sem muitos acordes e embaladas pela voz frágil de Christopher Owens os Girls arriscam-se a ser em 2009 o que os MGMT foram em 2008 Já não se ouvia cantar a Califórnia assim desde um grupo de rapazes que dava pelo nome de Beach Boys nos obrigou a vestir os calções de banho e a ir surfar para a costa dos U.S.A. O surf rock dos Beach Boy é aqui a adaptado por Christopher Owens e Chet "JR" White para a geração do twitter, sem deixar de lado outras influências fundamentais como os Velvet Underground ou os Pavement. “Album” é a crónicas das agruras ingénuas de uma idade de grandes emoções e muitas memórias coloridas. Fazendo parte da nova vaga de bandas noise em conjunto com Wavves ou Vivan Girls “Album” é o álbum Pop que merece ser descoberto e redescoberto vezes sem conta. Donos de canções verdadeiras demais para serem demasiado complicadas, são estas a canções que vão colorir todos os nossos dias vindouros. São estas canções Pop tão puras como pegajosas que vão parar a chuva e afastar as nuvens para dar lugar a um sol bem quente.
Eles partem enquanto eu chego com uma fé perdida. Com uma inequivoca certeza viro-me para leste mas já não encontro o sol. Perdida a fé encontro o sofrimento da liberdade do mais livre dos homens.
Depois de terem sido os cabeças de cartaz da nova vaga de rock alternativo do início do novo milénio, com o clássico instantâneo “Is This It”. Os The Strokes limitaram-se a gerir uma carreira sem grandes sobressaltos e sem grandes êxitos. Tornando-se assim vítimas do sindroma do primeiro álbum, curiosamente esse sindroma afectou também a maioria das bandas que viram a luz graças ao sucesso de “Is This It”. Embora sem grandes êxitos os The Strokes mantiveram-se estáveis no panorama alternativo e com uma carreira consolidada como os The Strokes, os diferentes membros da banda lançaram-se em diferentes projectos desde carreiras a solo até colaborações passageiras. Gerando pelo caminho descendentes para o nome The Strokes tendo esses descendentes maior ou menor qualidade. “Phrazes For the Young” é a primeira incursão a solo de Julian Casablancas depois de várias colaborações com outros projectos. E é também o mais conseguido descendente criado pelos diferentes membros da banda. Neste álbum Julian procura novas canções e experimenta novos caminhos sem nunca deixar de ser a voz dos The Strokes. É curioso comparar “Phrazes for the Young” com o novo álbum de Paul Banks aka Julian Plenti, que tal como Julian é novo em trabalhos a solo. Onde Banks no seu novo álbum encontra uma nova personalidade Plenti, longe do seu som nos Interpol. Julian Casablancas mesmo procurando novas maneiras de fazer canções soa ao Julian Casablancas a voz dos The Strokes. Um exercício interessante é imaginar que “Phrases for the Young” é o segundo álbum dos The Strokes, e pensar que talvez este seja um melhor descendente para “Is This It” do que “Room on Fire” ou “ First Impressions of Earth” alguma vez serão.
O Fascínio do ruído é algo intrínseco à existência do ser humano como individuo. O ruído quando percepcionado na sua forma pura e longe de um contexto, leva o cérebro do indivíduo a depressa buscar um contexto para o mesmo. Mas o ruído pode ser usado para a criação de uma composição. Um ruído sozinho é algo intrínseco ao objecto que o produz. O ruído acompanhado e dentro de um contexto, dá origem assim a uma composição onde o ruído não se reduz no conceito anteriormente percepcionado pelo individuo. Ou seja o ruído perde a sua natureza intrínseca para fazer parte um aglomerado de sons e o contexto do mesmo é então ditado pelo por esse mesmo aglomerado, a composição. Ou seja a origem do ruído deve ser irrelevante para a apreciação final da composição criada. O ruído pode ser utilizado como arma obliteradora dos dogmas musicais, pois quando recorremos a esta filosofia sonora, utilizamos uma produção indeterminista. Que dá origem a uma composição desprovida de resultados pré-determinados mas é contudo provida de uma intenção real e pura. Sendo assim esta peça como um todo não se resume à soma das suas partes. Pois quando voltamos a separar as partes, estas estão desprovidas de qualquer arte, voltando assim a fazer parte do seu antigo contexto. Logo ausência de música é a música em si mesmo.
“A melhor peça musical é aquela ouvimos sempre que estivermos em silêncio” John Cage.