quarta-feira, 17 de junho de 2009

sábado, 2 de maio de 2009

Especial Indie Lisboa #2


Birth of a City

Tudo começou como um projecto de fim de curso que se transformou, transformando-se num retrato de uma cidade. Aqui Londres é a personagem principal e João Rosas coloca-a na tela de uma forma sincera. Esta Londres não é a dos postais, é a Londres dos anónimos que se fundem com as ruas. A intensidade da relação narrador cidade, transborda em cada plano que milimetricamente plano a plano relata esta dependência.
No capítulo seguinte da película conhecemos a pintora de cidades, é neste momento que a personagem principal se transforma numa tela branca que presencia a recriação da cidade.
Dá-se então um confronto de visões narrador/artista. A artista que vê a cidade como um conjunto de linhas e contexturas que formam as várias estéticas, entra em cotejo com o narrador que se foca nas gentes que formam padrões sinergéticos.
Mas esta dicotomia de visões que enriquece as camadas do quadro, camadas essas, que se multiplicam sobrepondo-se umas às outras, criando a densidade intelectual do filme. Neste filme a crise mundial não passa de pequena banda sonora que aparece por vezes em voz off.
A oposição de entre a cidade “real” que é mostrada pelo narrador e a representação da mesma criada pela pintora de cidades é o principal elo narrativo do filme. Esta oposição cidade “real” por vezes fria e dolorosa por vezes quente e protectora e a sua representação imagética mais fluida e profunda.
A dada altura o narrador compara Lisboa o seu berço à cidade que o acolheu por três anos. Lisboa é assim descrita como o útero quente que o abriga do mundo, enquanto Londres é a amante fogosa que mistura prazer com dor.
E assim o quadro cresce novas camadas são criadas e assim se sente o movimento e a vida da cidade. É este quadro que faz a narrativa mover-se sendo ele o transporte de informação do filme.
E tal como a sua modelo o quadro em constante mutação luta por conseguir atingir um final inalcançável. A pintora de cidades pergunta ao narrador - “Que tal está?” não se ouve resposta “E agora?”. Este diálogo representa a natureza mutável da cidade, a pintora de cidades observa a mutação constante fazendo desta mutação, enquanto o narrador a observa como um observador que não faz parte da acção.
Dá-se então a transição representação representado e por fim o até sempre à amante e o regresso ao útero.

sábado, 25 de abril de 2009

Especial Indie Lisboa #1


Critico

A crítica é autobiográfica. Esta longa-metragem é uma espécie de realização de um fetiche recalcado de um qualquer crítico. O homem, o critico possui no seu cerne uma pulsão que o impele a fazer parte de algo. Neste filme o critico é mostrado como parte integrante e fundamental da construção cinematográfica, este filme é um objecto de prazer para o ego do ser crítico, um prazer que por vezes trás um gosto a fel.
O objecto do filme é a dicotomia entre o fazer e o criticar. É impossível separar estes dois conceitos, de que serve a realização da obra sem a apreciação da mesma, o oposto, a falta de obra também torna impossível a apreciação de algo. É possível pois considerar a critica como a validação da obra. O crítico é referido no filme, em primeira análise como um membro do público, um membro activo que exterioriza a sua opinião. A associação critico autor é algo impossível de dissociar. Bons críticos só existem em grandes obras. A procura pelo grande filme é o que impulsiona e move o crítico. Logo se uma grande obra é responsável por fazer um grande crítico, a boa crítica também é responsável pelo grande cinema. O inverso é também verdade a má critica, dá também origem ao cinema medíocre. A boa crítica não tem a ver tanto com a opinião do crítico crua mas sim com a análise do mesmo tendo em conta os vários factores da obra. Pois a opinião de um crítico é algo em constante mutação. Tal como o autor evolui através dos seus trabalhos e as suas vivências, também o crítico cresce com os filmes que assiste. É assim no meio desta associação recíproca que o autor e o crítico vivem sendo o critico responsável por tomar conta da obra quando o autor a deixa ao capricho do público. Sendo o mesmo amor pelo cinema que move o autor e o crítico. O crítico é tão apaixonado pelo filme como o seu autor, e por vezes apodera-se do mesmo como se este fosse seu usando-o para uma masturbação intelectual. Kleber Mendonça Filho conhece bem os caminhos que ligam a realização e a critica sendo consagrado tanto numa área como na outra. Através dos depoimentos das gentes que se movem no meio cinematográfico, Kleber Mendonça Filho aqui utilizando uma faceta para analisar a outra, encontra a voz que mostra o cinema através do processo simbiótico entre estas duas facetas.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Galeria Zé dos Bois


Curtas #5



Spanish Prisioners

Embora sejam prisioneiros em Espanha, estes quatro reclusos vêem do Brooklyn. Responsáveis por criarem pequenos momentos pop que nos embalam nos seus braços. Em cada nova música os Spanish Prisioners criam um novo mundo único, numa música podemos vê-los passearem-se pela folk enquanto noutro já são punks, sem nunca esquecer a pop adocicada. Todas as músicas centram-se nas letras escritas pelo vocalista Leo Maymind que admite dar mais importância às letras do que às próprias melodias. Este quarteto já teve a hipótese de partilhar os palcos com pessoas como John Vanderslice ou Daniel Johnston. Embora as músicas escritas por Leo Maymind sejam cheias de melancolia, é no brilho de esperança no fundo do túnel que as letras se centram.


Teenage Prayers

Acredito que um dos sonhos de Tim Adams tenha sido conhecer Steve Wynn tendo sido este, um dos heróis de adolescência do mesmo. Poucas pessoas têm a sorte de ter um dos seus heróis a produzir um álbum seu, contudo Tim Adams é um desses sortudos pois o produtor de “Everyone Thinks You're The Best” é Steve Wynn. Os Teenage Prayers são uma espécie de Hold Steady mais calmos e introspectivos. A palavra que melhor define o som da banda é América, a banda mescla o garage rock com o soul mas sempre com interior americano como fundo.

Indie Lisboa 09


terça-feira, 31 de março de 2009

Gregory Credson



O processo de criação das fotos de Gregory Crewdson é muito semelhante à criação de um filme desde a duração da planificação do processo, até à construção dos cenários e a luz artificial que se assemelha ao crepúsculo e envolve o ambiente das fotos. Gregory Crewdson é o realizador da desconstrução do sonho americano. As personagens nas fotos apresentam olhares que exprimem desde do desespero até à alienação. Embora as fotos possam parecer fazer parte de um storyboard, nenhuma delas contam uma história, cada foto representa um momento de transição. É nesse momento que Gregory Crewdson capta o abstraccionismo da vida banal. Existe quem critique a repetição do trabalho de Crewdson, ele responde dizendo que cada artista tem um tema e que a luta do artista é exprimir-se através desse mesmo tema. A verdade é que é impossivel não ser afectado por cada foto deste artista.

Fotogramas #1

Quando alguem dá uma imagem à música.

Patrick Daughters


Yeah Yeah Yeahs - Maps

Futureheads - Hounds of Love

The Shins - Phatom Limb

Bright Eyes - Hot Knive

Feist - 1 2 3 4

Liars - Plaster Casts of Everything

Altermodernismo


"Line of Control" by Subodh Gupta

Segundo Nicolas Bourriaud o actual curador de arte contemporânea do gigante Tate, o modernismo e pós-modernismo morreram, e existe uma nova forma de encarar a arte onde o artista depende da modernidade. No altermodernismo o artista tem visão positiva dos aspectos negativos da globalização, é a criação de uma rede que une as diferentes respostas culturais nos diferentes pontos do globo. No altermodernismo o artista pega nas suas raízes e leva-as pelo mundo. O altermodernismo é a resposta cultural ao colapso do sistema financeiro em que vivemos.

A introdução ao tema por Nicolas Bouriaud.